sábado, 24 de julho de 2010

Tricampeão ainda vive



A amiga Laura Vianna colocou hoje esta foto em seu Facebook e tornou-se obrigação minha postá-la na seção "Cotidiano" deste blog.

Ela explica: "Onde está Wally? Somente em São Paulo [na Liberdade] posso me deparar com uma cena como essas". Realmente, Laura.

Só dou uma dica para quem quiser encontrar o "Wally": ele é tricampeão.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Pagando o pato


Milhões de pessoas ao redor do planeta faziam a mesma coisa às 11h de hoje, horário de Brasília: assistiam à partida entre Holanda e Brasil da Copa do Mundo pela televisão. Não poderia ser diferente no O’Malley’s, famoso pub paulistano. Esse bar, inclusive, foi um dos únicos lugares da cidade em que se torcia abertamente para duas equipes, não apenas para uma, porque nele havia grande concentração de holandeses.

Mas duas pessoas não queriam nem saber se um bando de homens corria atrás de uma bola. Não se importavam em ocupar um território "inimigo". Apesar do clima tenso, estavam tranquilas e pareciam estar em casa tamanha a despreocupação com o que estava acontecendo ao seu redor e na África do Sul.

Nem o gol de Robinho, abrindo o placar para o Brasil, fez com que perdessem a concentração. A virada holandesa tampouco representou uma alegria para elas. Em meio a familiares vestidos de laranja e desconhecidos, de verde e amarelo, elas não estavam nem aí para um possível extravasamento de ânimos dos nascidos em países diferentes.

Eram duas crianças que, durante todo o jogo, viam desenhos do “Pato Donald” por meio de um DVD Player portátil, com visor, atrás da cadeira em que me sentei no pub.

Mal sabiam elas que um dos grandes pedidos dos torcedores brasileiros era a convocação de um jogador com apelido de ave, o Paulo Henrique “Ganso”.

Quem, na verdade, pagou o pato foi Dunga. E olha que as crianças não estavam vendo “Branca de Neve e os Sete Anões”.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Dupla da McLaren é destaque até agora


A temporada da F-1 se encaminha para sua metade e já é possível apontar o maior destaque até agora: a dupla da McLaren. Poucos imaginavam que Lewis Hamilton e Jenson Button trabalhariam tão bem juntos e se completariam tão perfeitamente. Não é à toa que eles ocupam as duas primeiras posições do Mundial de Pilotos e fazem com que a equipe inglesa esteja na ponta do Mundial de Construtores.

Na verdade, a maior surpresa é o desempenho de Button. Muitos achavam que o atual campeão, ao sair da Brawn, seria esmagado por seu compatriota. Mas ele não se intimidou diante do vencedor do título de 2008 e tem dado trabalho ao companheiro.

Button venceu logo na segunda corrida, na Austrália, e levou a melhor também na quarta etapa, na China, em que alcançou a liderança do campeonato, perdida na sexta prova, em Mônaco. Apenas no domingo passado, no Canadá, Hamilton superou a quantidade de pontos do companheiro. Para tanto, precisou vencer duas corridas seguidas, em Istambul e em Montréal. Em ambas as ocasiões, Button seguiu Hamilton de perto e foi segundo colocado.

O curioso é que, como já escrevi em outro texto, os dois britânicos têm estilos de pilotagem totalmente diferentes. Enquanto o ex-Brawn gosta de carros neutros, tem uma tocada limpa e sabe poupar pneus, o fiel funcionário da McLaren vai para cima sempre que pode e costuma dar espetáculo. Essa reação química entre ambos poderia ser explosiva, mas é, por enquanto, bem-sucedida.

O relacionamento entre Hamilton e Button parece estar bom e, em frente às câmeras, eles aparentam ser amigos. Mas será que, na reta final do campeonato, quando eles estiverem na disputa pela taça, as coisas continuarão assim? É uma das grandes dúvidas da temporada.

Outra é se a Red Bull terá capacidade de reagir, já que a McLaren cresce progressivamente e já é superior em circuitos onde se depende menos da pressão aerodinâmica. A equipe inglesa, a mais inovadora desta temporada, tem o melhor duto de ar, o que dá a ela uma boa vantagem em retas, mas o crescimento dela não se baseia somente nisso. Os dirigidos por Martin Whitmarsh sabem como fazer um carro evoluir durante uma temporada, algo que foi provado no ano passado, quando Hamilton saiu de duas provas com a vitória mesmo após um péssimo começo de ano.

Mas o GP da Europa, nas ruas de Valencia, na Espanha, dará maiores chances à Red Bull de mostrar que ela ainda está na jogada.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Outro acidente entre companheiros na F-1

Muito se falou da colisão entre Mark Webber e Sebastian Vettel, companheiros de Red Bull, no GP da Turquia do último domingo. Na verdade, o australiano, na liderança até então, economizava combustível, enquanto o alemão acreditava ser melhor negócio ultrapassá-lo em vez de correr risco de perder posição para Lewis Hamilton.

Só que Webber não cedeu, manteve-se na mesma linha, e Vettel, que estava na esquerda, foi um pouco para a direita quando já tinha mais de meio carro de vantagem, imaginando que seu parceiro faria o mesmo. Mas não o fez, e o alemão levou a pior. O australiano, mesmo assim, pôde ser o terceiro colocado em Istambul.

O incidente me fez pensar na batida entre os companheiros de Williams Juan Pablo Montoya e Ralf Schumacher no GP dos Estados Unidos, em Indianápolis, em 2002. Na abertura da segunda volta, o colombiano estava na quinta posição, logo atrás do alemão, e tentou ultrapassá-lo por fora. Como resultado de uma perda de controle durante a manobra, o irmão de Michael teve seu aerofólio traseiro arrancado. Montoya conseguiu ser o quarto colocado naquela corrida, vencida por Rubens Barrichello (vitória "doada" por Michael Schumacher), enquanto Ralf foi o último entre os que chegaram ao fim.

Assistam à batida a partir de 37 segundos de vídeo:

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Interlagos, um lugar especial


Ontem marquei presença nas comemorações dos 70 anos de Interlagos. Entre as várias atrações das festividades, estava a distribuição de um anuário do qual escrevi a maior parte dos textos. Essa foi minha primeira publicação oficial sobre o autódromo, mas é sempre bom dizer que meu Trabalho de Conclusão de Curso da faculdade tratou de uma perspectiva mais intimista do circuito paulistano. E o relato que faço a seguir segue essa linha.

Fui a Interlagos pela primeira vez em 1995, quando ainda não tinha completado nove anos. Na verdade, garanti minha presença somente um dia antes do início dos treinos da F-1. Um tio meu trabalhava no Unibanco, patrocinador da etapa, e ele me arrumou três credenciais para o Orange Tree Club, no Laranjinha. Ele até poderia ter conseguido entradas para os três dias, mas na época consideramos o ideal ir apenas no sábado. Sei que deveríamos ter visto a corrida também, mas, enfim...

Eu e meu pai ficamos com duas credenciais. A outra iria para uma das minhas primas. As duas irmãs tiraram par ou ímpar e a mais velha, de sete anos na época, levou a melhor.

Em 25 de março de 1995, nós três, moradores da zona norte de São Paulo, fomos a Interlagos. Não me lembro onde estacionamos o carro, mas me recordo do portão principal do autódromo e do acúmulo de pessoas em frente a ele.

Quando entramos, fomos direto ao Orange Tree Club. Eu não fazia ideia do que esperar do circuito, mas minha primeira impressão foi boa: a visibilidade que tínhamos era ótima. Só que eu não sabia que curvas eram aquelas no miolo, pois eu só conhecia o S do Senna.

Não sei se vimos um treino livre ou somente chegamos a tempo de assistir à sessão classificatória. Mas a McLaren, ainda nas cores da Marlboro, chamou minha atenção. A torcida toda estava para Rubens Barrichello, da Jordan, mas o clima geral do autódromo era dos piores, porque era o primeiro ano sem Ayrton Senna. Rubinho bateu nas proximidades do Laranjinha e passou por perto da arquibancada onde estávamos, algo que foi marcante para mim.

Eu não entendia muito bem o que estava vendo, mas me apaixonei por aquilo de imediato. Um gesto gentil também me marcou muito: não havia conseguido pegar um exemplar da "Pole Position", revista distribuída gratuitamente em Interlagos anualmente, e um senhor resolveu me dar “de presente” a sua.

A partir daí não parei mais de acompanhar a Fórmula 1. Não fui ao GP Brasil de 1996, não sei por qual motivo, mas a partir de 1997 não perdi um sequer. Sobre a ida em 1997, juntei dinheiro de mesada e contribuí para a compra dos ingressos. Minhas duas primas fizeram o mesmo, e fomos juntos, acompanhados de nossos respectivos pais, ao autódromo. Desta vez sem par ou ímpar.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Domingo de cenas inusitadas

O fim de semana do automobilismo foi marcado por cenas atípicas. Uma beirou a tragédia, mas o piloto voador Ricardo Teixeira, da F-2, não se feriu gravemente.



A câmera onboard de outro piloto mostra mais uma perspectiva do voo. Confiram o instante 1:15.



Outra cena do fim de semana foi cômica pela própria natureza. Na MotoGP, Jorge Lorenzo ultrapassou Daniel Pedrosa, com o qual não se dá bem, na última volta em Jerez e levou a vitória. Depois disso, se jogou no lago do circuito para comemorar. Infelizmente, o vídeo desse momento foi excluído do Youtube.

No vídeo abaixo, o espanhol crava uma bandeira no chão e vai para a galera.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

A temporada dos extremos


Esta temporada da F-1 poder ser classificada como a dos extremos. As grandes variações de estilo de pilotagem, de idade e de orçamento dão o tom e são uma atração à parte na categoria.

É possível ver em 2010 dois pilotos com jeitos totalmente diferentes de guiar um carro e de encarar um GP. Os ingleses Jenson Button e Lewis Hamilton protagonizam na McLaren o duelo do “certinho” contra o “maluquinho”. Enquanto o atual campeão pilota sem forçar a barra e sabe como poucos como poupar pneus, o detentor do título de 2008 é arrojado, ousa em ultrapassagens e dá show. Mas nem sempre converte essa habilidade em resultados.

Por enquanto, Button leva a melhor em cima de Hamilton: já venceu duas vezes em quatro etapas seguindo à risca seu estilo e sendo inteligente na hora de traçar uma estratégia de corrida. O ex-Brawn é o líder do campeonato, com 60 pontos, e o eterno protegido de Ron Dennis é o quarto colocado, com 49.

Há uma disputa de jovens pilotos contra veteranos. Dois duelos são mais marcantes: o de Michael Schumacher (41 anos) contra Nico Rosberg (24) na Mercedes e o de Rubens Barrichello (37) versus Nico Hülkenberg (22) na Williams. O jogo está empatado: Rosberg arrasa Schumacher, mas Barrichello bate o estreante por quatro pontos. Já o heptacampeão está 40 pontos atrás do filho de Keke.

O último duelo é o entre equipes estabelecidas contra novatas. A tradicional McLaren está na ponta do Mundial de Construtores, seguida pela mais antiga ainda Ferrari. E as equipes novas, Hispania e Virgin, enfrentam sérias dificuldades com seus carros e chegar ao fim de um GP já é motivo de alegria para elas. A Lotus, apesar do tradicional nome, também pode ser considerada uma novata, já que não tem quase nada a ver com a antiga equipe de Colin Chapman, e igualmente passa por momentos difíceis.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Bons companheiros, ninguém pode negar


A colega Carolina Canossa, da Gazeta Esportiva, escreveu no Twitter que havia uma passagem muito interessante na entrevista do piloto Bruno Senna publicada hoje pelo Tazio. Fui ao site do qual eu era repórter, ouvi a sonora e pude comprovar: o final reservou bons momentos de risada.

O sobrinho de Ayrton é companheiro de Karun Chandhok na Hispania, equipe tão estreante quanto os dois na F-1. Ambos já haviam sido parceiros em 2008, na iSport da categoria GP2, e foi quando o brasileiro “ensinou” o indiano a comer carne bovina, algo que não é bem aceito na Índia.

“Sempre tivemos um bom relacionamento, não é questão de competitividade da equipe”, disse. “A personalidade dos dois colabora para isso. Não sei se eu deveria dar dica de churrascaria a ele, porque ele não comia carne até 2008, quando o convenci a experimentar. A mãe dele quase o matou, é provável que ela me odeie. Acho que não fiz muitos amigos na família do Karun. Ele aprendeu a comer carne e agora gosta de hambúrguer.”

Até mesmo os jornalistas que entrevistavam Bruno deram muitas risadas após essa resposta.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Vínculos poderosos entre piloto e equipe


A revista “Autosprint” publicou uma reportagem sobre o estado de espírito de Robert Kubica. O polonês declarou à revista se sentir muito melhor na Renault que se sentia na BMW, pois não recebia dos alemães o apoio considerado justo por ele e agora ele tem esse suporte na equipe cujas cores são o preto e o amarelo. Essas declarações levam a uma reflexão sobre a existência ou não de vínculos poderosos, que ultrapassem a esfera contratual, entre um piloto e uma escuderia atualmente.

Kubica fez parte do programa de desenvolvimento de jovens pilotos da Renault, criado em 2002, mesmo ano em que ele foi convidado para disputar a última etapa da F-Renault Brasil em Interlagos e exerceu domínio na prova. Mas defendeu a BMW de 2006 a 2009 na F-1 e com ela obteve uma vitória, em 2008, no Canadá. Só que, ao que parece, ele nunca foi muito feliz por lá. Ficou irritado em 2008, por exemplo, porque os alemães quiseram dar atenção ao carro do ano seguinte e deixaram de lado o desenvolvimento do F1.08, o que lhe tirou maiores chances de título.

Com a Renault, Kubica já foi uma vez ao pódio, no GP da Austrália, parece estar na equipe para a qual sempre poderia ter pilotado e dá a impressão de que tem grande identificação com ela. Mas só o tempo dirá se será uma parceria duradoura ou se a passagem de Kubica pela equipe será tão rápida quanto ele.

Fernando Alonso era outro que tinha uma grande ligação com a Renault. Detentor dos títulos de 2005 e 2006 com carros do esquadrão francês, ele aventurou-se pela McLaren em 2007, teve sérios problemas de relacionamento e voltou para onde se sentia em casa em 2008. Essa volta foi, porém, só uma ponte para ir à Ferrari em 2010. Alonso sempre será lembrado como um piloto bicampeão pela Renault, assim como Michael Schumacher ficou marcado por ganhar dois títulos com a Benetton, antecessora dessa mesma equipe. Mas é claro que os feitos do alemão com a Ferrari são mais valorizados que os com a Benetton, e o mesmo talvez aconteça com o espanhol.

Ainda há três grandes pilotos no grid que podem ficar na memória de todos como competidores feitos para determinadas equipes: Felipe Massa, da Ferrari, Lewis Hamilton, da McLaren, e Sebastian Vettel, da Red Bull. Eles não dão sinais de mudança de ares e caminham para chegar àquele estágio em que não é possível pensar no piloto sem vir à cabeça a equipe para a qual pilota.

A chave para um piloto tornar-se intrinsecamente ligado a uma escuderia é o tempo de permanência nela. Havendo fidelidade, o resto flui mais naturalmente. Mas existem casos em que excelentes resultados em um curto espaço de tempo são suficientes para que uma imagem fique marcada na cabeça de todos. Como falar de Jenson Button sem imaginar aquele carro da Brawn campeão de 2009? Se houver uma junção das duas coisas, ou seja, de grande tempo de permanência e de ótimos resultados, o vínculo será bastante poderoso.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Estou de volta

Demorou um pouco, mas voltei a este blog. E preciso justificar minha ausência: fiz a cobertura da Indy pela Folha de S.Paulo, algo de que eu me orgulho muito, pois foi a primeira vez que acompanhei "in loco" uma prova para um jornal.

Valeu a pena todo o esforço, os quilômetros andados sob sol, o furo de reportagem que não significou nada a não ser satisfação pessoal, a tensão da primeira volta, o blecaute na sala de imprensa, as disputas por posição e todo o resto.

Mas agora é hora de eu me concentrar em um projeto que tenho feito há dois meses e tem de ser finalizado nas próximas semanas.

Tentarei passar por aqui até este fim de semana para falar da sensação de acompanhar apenas parcialmente a corrida de F-1, algo que não acontecia comigo fazia tempo, e quais foram minhas impressões sobre a cobertura da Indy.